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Informações sobre a última Assembleia Geral Extraordinária do Sinpojud

Na última sexta-feira (26/09), o auditório da sede do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sinpojud) foi palco de uma Assembleia Geral Extraordinária marcada por intensos debates, denúncias, protestos e divergências quanto à condução dos trabalhos. Convocada para apreciar o Parecer nº 002/2025 do Conselho Fiscal, a reunião teve como foco o exame de possíveis irregularidades financeiras atribuídas à Diretora de Finanças e Convênios, Maria José (Zezé).

A assembleia, convocada de forma unilateral pelo Diretor Presidente Manuel Inácio Suzart, reuniu cerca de 73 filiados e teve como pauta central a análise das recomendações do Conselho Fiscal baseadas em relatório apresentado pelo próprio presidente. O documento questionava repasses financeiros, contratos e despesas administrativas da entidade.

Informes do Presidente, condução polêmica e tensão na mesa

Logo no início da sessão, o presidente Manuel Suzart apresentou informações sobre extratos bancários e relatórios, alegando possíveis inconsistências em pagamentos e contratos desde o início da gestão. O presidente relatou que o histórico de inconsistências somava milhões e que necessitava de apuração por uma auditoria conduzida pelo Conselho Fiscal.

Antes mesmo da leitura do parecer do Conselho Fiscal, tentou colocar em votação a autorização para pagamento de seguranças particulares que prestariam serviços à sede e à sua segurança pessoal. A condução da mesa por Suzart foi marcada por momentos de conflito. A palavra foi inicialmente negada a diversos dirigentes, entre eles o Diretor de Comunicação Tiago Pascoal, e à própria Diretora de Finanças, Zezé. Após protestos e pedidos de fala de diretores e filiados, entre eles Patrícia, Edmo e Samuel, o presidente recuou e retirou a proposta.

Leitura do parecer e recomendações do Conselho Fiscal

O Conselho Fiscal, representado por Jorge Humberto e Cláudio Sales, apresentou seu relatório destacando diligências, pedidos de documentos e inconsistências em pagamentos e contratos. O parecer recomendava:

a) rejeição das contas de dezembro de 2024 a março de 2025 da Diretora de Finanças e Convênios;
b) realização de auditoria externa a partir de setembro de 2022, supervisionada diretamente pelo Conselho Fiscal;
c) licenciamento temporário da Diretora de Finanças até a conclusão da auditoria.

Durante a leitura, foi necessária a intervenção da Polícia Militar para retirada de pessoas não filiadas que acompanhavam a assembleia, o que atrasou o andamento da sessão.

Fala da Diretora de Finanças e denúncias cruzadas

Em sua defesa, Maria José (Zezé) questionou a rejeição das contas sem análise prévia e reafirmou o pedido de auditoria. Ela declarou ter entregue toda a documentação ao Conselho Fiscal, que, segundo afirmou, “não analisou os documentos apresentados”. Zezé afirmou que os pagamentos questionados pelo Diretor Presidente foram autorizados por ele, principalmente aqueles à corretora de seguros, pois foi acordado entre o presidente e representante da empresa em sua respectiva sala. Denunciou também suposto assédio moral contra funcionários, alegando que Suzart teria colocado policiais armados dentro da sede.

Propostas e divisões entre os filiados

Durante os debates, várias propostas foram apresentadas pelos filiados. Rose, Patrícia e Carmem propuseram o afastamento cautelar tanto da Diretora de Finanças quanto do Presidente. Patrícia inclusive propôs que esse afastamento fosse por 60 dias, sem prejuízo dos seus direitos, com proibição de comunicação com trabalhadores e diretores durante o período de apuração.

Edmo Lima defendeu a destituição completa da diretoria e do Conselho Fiscal, sugerindo a criação de uma junta governativa até novas eleições. Já Tiago Pascoal e Túlio sugeriram que a votação fosse realizada em duas etapas: uma para decidir sobre a auditoria externa e outra sobre os afastamentos, sendo que o último propôs ainda que fosse realizada uma próxima assembleia com ponto específico para antecipar as eleições.

Outros participantes defenderam a publicidade dos documentos financeiros e maior transparência nos processos internos.

Votação final e encerramento abrupto

Apesar dos apelos do plenário, o presidente Manuel Suzart colocou em votação apenas o parecer do Conselho Fiscal, sem abrir discussão sobre as demais propostas. O parecer foi aprovado com 39 votos favoráveis e 3 abstenções, enquanto parte expressiva dos filiados se recusou a votar como forma de protesto pela condução da votação.

As propostas de afastamento, destituição e antecipação de eleições não foram apreciadas. A assembleia foi encerrada de forma abrupta pelo presidente, sem comunicação formal aos participantes, o que gerou críticas entre os servidores presentes.

A assembleia de 26 de setembro de 2025 ficará registrada como uma das mais tensas da história recente do Sinpojud, marcada por disputas políticas internas, denúncias cruzadas, protestos e reivindicações por mais transparência e democracia sindical.