A Tarde - Bolsonaro será primeiro presidente a diminuir salário mínimo

Publicado em: 9 Maio 2022 - 10:26


Jair Bolsonaro será o primeiro presidente do Brasil desde a implementação do Plano Real e terminar o seu mandato com o salário mínimo valendo menos do que quando entrou. Nenhum governante neste período, seja no primeiro ou segundo mandato, entregou um mínimo que tivesse perdido poder de compra. As informações foram publicadas em reportagem do Jornal O Globo desta segunda-feira, 9. 
A previsão é de que Bolsonaro conclua seu atual mandato em dezembro de 2022, quando o Real terá acumulado uma perda de 1,7%, segundo cálculos da Tullett Prebon Brasil. A variação pode ser ainda mais negativa caso a inflação acelere mais do que o previsto pelo mercado no Boletim Focus, do Banco Central, base das projeções da corretora. 
Com isso, descontada a inflação, o salário mínimo cairá de R$ 1.213,84 para R$ 1.193,37 entre dezembro de 2018 e dezembro de 2022. A Constituição brasileira coloca o piso salarial como uma proteção de perdas do poder de compra, sendo obrigatória a recomposição da inflação.
No período desde a adoção do Plano Real, o Brasil teve outros quatro presidentes além de Bolsonaro. Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Roussef e Michel Temer. Apesar de resultados bem diferentes, nenhum deles entregou o cargo com perda do poder de compra do salário mínimo. 
Em seu primeiro mandato, FHC entregou uma variação positiva de 29,3% e nos quatro anos seguintes mais 16,21%. Ao todo, entregou um aumento de 50% do valor real do salário mínimo em dezembro de 2002 se comparado ao que recebeu em janeiro de 1995. 
O ex-presidente Lula, principal adversário de Bolsonaro nas eleições deste ano, registrou os melhores números de todo o período. Em seu primeiro mandato, a variação foi de 27,87% e em seguida 22,20%. Ao todo, entregou em dezembro de 2010, um valor real do salário mínimo de 57,83% se comparado ao que recebeu em 2003. 
Dilma Roussef, em seu primeiro mandato alcançou uma variação de 12,04%. O seu segundo mandato, conturbado por um processo de impeachment e que durou apenas um ano e meio vario 0,42% para cima. Seu vice, Michel Temer, assumiu e também teve uma variação tímida, de 3,28%, mas ainda positiva.  


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