Bahia Notícias - 'Tudo a vista de todos': Presidente do TJ-BA compara homem público a animal em zoológico

  • Publicado: 18 Fev 2020, 10:55
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O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador Lourival Trindade, defendeu a importância da transparência para o Judiciário e destacou o papel da imprensa neste processo. Em entrevista no programa Isso é Bahia, de A Tarde FM 103.9 e Bahia Notícias, nesta terça-feira (18), o desembargador afirmou que a imprensa tem “um papel inarredável e fundamental”. “É nossa parceira, coadjuvante, no sentido de dar transparência de todos os nossos atos, para que nada se faça as ocultas”, declarou.



Lourival chegou a comparar o homem público como “animais em zoológico”. “Nós temos que nos imaginar como verdadeiros animais de zoológico. Temos que fazer tudo a vista de todos”, exclamou, complementado que a medida é “necessária nos tempos em que estamos vivendo”. Para ele, os parlamentares e membros do Executivo tem mais visibilidade, e, por isso, estão sujeitos a mais fiscalizações no dia a dia. Entretanto, destaca que os tempos de “clausura e invisibilidade” do Poder Judiciário estão mudando. “Nós temos o portal da Transparência. O principal desafio nosso é convocar a sociedade como um todo para que o Judiciário tenha uma visão transparente, de que tudo que ocorre lá dentro, nada se fará as ocultas. Terá que ser feito à vista de todos. O Judiciário não pode fugir a essa regra de transparência”, avaliou.



Ainda durante a entrevista, o presidente da Corte baiana declarou ser contra a desativação de comarcas, que chegou a ser uma voz contrária no TJ-BA quando a medida foi colocada em discussão. Para ele, é preciso valorizar o 1º Grau de Justiça, que vive atualmente um a situação de “caos e estrangulamento”. Sinalizou que o 2º Grau de Justiça funciona tão bem quanto dos demais tribunais do país.



PRIVILÉGIOS X PRERROGATIVAS

Questionado pelos jornalistas Fernando Duarte e Jefferson Beltrão sobre os privilégios que a carreira do Judiciário ostenta, como benefícios e auxílios, o desembargador foi taxativo: “O privilégio é sempre uma ofensa para quem o recebe, prerrogativa é outra coisa”. “Prerrogativa sim, não só para o servidor. Agora, eu sou contra privilégios”, esclarecendo que as prerrogativas são diferentes e necessárias para o exercício da função. Sobre as prerrogativas da advocacia, declarou que o Judiciário não pode cerceá-las, e entende que o “advogado é o muro das lamentações dos clientes”, e que o Judiciário é a “atalaia” da cidadania, devendo resguardar direitos dos cidadãos, pois “o bem essencial, a vida, não tem preço”.

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