Tribuna da Bahia - Wagner sugere que vazamento de conversas veio da própria Lava Jato

  • Publicado: 18 Jun 2019, 08:52
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a criticar, ontem, o conteúdo das mensagens trocadas entre o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol. Conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil mostram que o ex-magistrado orientou o procurador nas ações da operação Lava Jato.

“A Lava Jato está extremamente malucada, para quem tem bom senso. A Lava Jato se perdeu. Começou no caminho correto que foi investigar desvio de dinheiro público. E depois meteu os pés pelas mãos, quando resolveu fazer política. Quando rompeu qualquer limite da legalidade. Não respeitou nada na relação com alguns segmentos da imprensa, na relação do Ministério Público com o juiz que está julgando. Para mim, está mais que claro que aquilo que era convicção nossa está provado. Ela tem um cacoete político e tinha objetivo central que era tirar o principal candidato da eleição de 2018”, declarou Wagner, ao se referir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista à rádio BandNews, Wagner ainda defendeu Glenn Greenwald, que é um dos fundadores do site e quem divulgou as mensagens. “Não acho que está fazendo jogo de cena. Acho que tem material na mão. Como ele obteve, eu desconheço, mas pode ter sido de dentro da Lava Jato. Algum procurador, alguém insatisfeito com os rumos, ou com a falta de protagonismo e entregou o serviço, talvez, para atacar alguém”, avaliou.

Para ele, as mensagens mostram que havia uma “seletividade” na operação. O petista voltou a atacar o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Para ele, é uma “super usina de crise”.“Desse jeito, eu não sei muito como vai conseguir andar. Não é que eu torço por isso. Sou oposição e todo mundo sabe. Agora, não vou apostar que o país pegue fogo só porque não estou no governo”, pontuou. “Quem governa precisa de paz para governar. E eles parecem que gostam de uma briga a cada dia. É a natureza do presidente eleito, infelizmente. Provoca. Fica jogando para a torcida dele. A torcida mais arraigada. Nem todo mundo que votou nele é torcedor fervoroso. É o tempo todo fazendo ideologia. E quem governa um país complexo e plural, como nosso, tem que governar com certo pragmatismo. E eu não vejo isso nele. É guerra o tempo todo”, emendou.

Wagner voltou a falar da reforma da Previdência. Ele disse que reconhece a necessidade de “atualização” da idade mínima, por exemplo. Também admitiu que houve avanços após o parecer do relator Samuel Moreira (PSDB-SP). “Agora, eu prefiro ver o texto, mas sem dúvida nenhuma ele tirou quatro obstáculos que eram quase intransponíveis. E acho que ele (Bolsonaro) vai conseguir andar melhor com a base dele. Vamos ver posição nossa da oposição”, pontuou.

Ainda na entrevista, o senador voltou a descartar qualquer possibilidade de ser candidato a prefeito de Salvador em 2020. “Meu nome não está à disposição do partido para disputa de prefeito”, pontuou. Reiterou, porém, que pode disputar novamente o governo do estado em 2022. “Se for pela unidade do grupo, meu nome pode até ser cogitado. Mas esse não é o desejo. Gostaria de ver um quadro mais jovem”, afirmou. Wagner ainda defendeu a decisão do governador Rui Costa (PT) de cortar os salários dos professores universitários, quando estavam em greve. “Como sindicalista, não perdi as minhas convicções. E tenho certeza que Rui Costa também não perdeu as dele. Mas, como gestor, eu tenho que dar resposta aos professores e ao conjunto da sociedade. (...) Acho que é sempre duro, para gente que é sindicalista, usar de uma ferramenta desta, até machuca a gente. Mas, como gestor, não tem outro caminho para tentar pressionar também pelo fim da greve”, pontuou.

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