Tribuna da Bahia - Partidos de esquerda aumentam as bancadas na Bahia

  • Publicado: 9 Nov 2018
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Muita gente não notou, mas os partidos de esquerda na Bahia viram as suas bancadas crescerem na Assembleia Legislativa e na Câmara. Antes das eleições, PT, PCdoB, PSB e PDT somavam 11 deputados federais. Após o pleito, as siglas passaram a ter 14 e o número pode chegar a 15, caso o ex-prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho (PCdoB), consiga reverter a decisão da Justiça Eleitoral que o considerou inelegível. Neste cenário, o comunista ocuparia a vaga de Leur Lomanto Júnior (DEM). Na Câmara dos Deputados, o PT saltou de sete parlamentares para oito. O PSB e PDT que tinham um subiram para dois, cada um. O PCdoB manteve dois, mas pode alcançar três, como já vimos. As quatro legendas, juntas, tiveram 2,1 milhões dos 6,8 milhões dos votos válidos na disputa pela Casa. O historiador político e professor da Universidade Federal da Bahia, Carlos Zacarias, aponta alguns motivos para este acréscimo de cadeiras esquerdistas no Parlamento. O primeiro é a administração bem avaliada do governador reeleito Rui Costa (PT) e os erros do grupo de oposição liderado pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

“É possível identificar, neste crescimento, que o eleitorado baiano fez uma avaliação positiva do governo Rui Costa, apesar das dificuldades que ele teve, principalmente, com o funcionalismo, que reclama de ficar sem reajuste há três anos. Além disso, a oposição não se articulou e ACM Neto e José Ronaldo ficaram batendo cabeça”, avaliou, em entrevista à Tribuna. Para o especialista, a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PDT) também ajudou a puxar os sufrágios esquerdistas no estado. Com 340 mil votos, o PDT foi o segundo partido de esquerda mais votado na Bahia na briga pela Câmara dos Deputados depois do PT. Além de reeleger Félix Mendonça Júnior, elegeu Alex Santana para Casa.

“A onda conservadora que há hoje no Brasil atinge de maneira diferente os estados. Na Bahia, não chegou à dimensão que teve nos estados do sul do país. Isso está relacionado com as políticas públicas do PT para o Nordeste e a Bahia faz parte disto. Temos o maior contingente de beneficiados do Bolsa Família. Objetivamente, as pessoas tiveram as vidas melhoradas na última década e as pessoas reconhecem que a vida melhor porque políticas públicas foram criadas em seu benefício. E é um eleitorado que não muda rapidamente como o de setores mais urbano. Outrora, foi fiel ao PFL. Esse eleitorado tem uma postura conversadora. Tem uma fidelidade que está constituída. Se isso vai permanecer, vai depender da conduta do governo daqui para frente”, analisou.

Para ele, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que tem sido chamado pela ala de “golpe”, também contribuiu. “O impeachment praticamente destruiu os planos do PSDB, do MDB, de governarem o Brasil. O governo Temer vai sair com 97% de impopularidade. É difícil inverte um quadro”, acrescentou. Na Bahia, o MDB não elegeu nenhum deputado federal e PSDB caiu de três para um. Apenas Adolfo Viana foi eleito no ninho tucano. Presidente do PSDB, o deputado federal João Gualberto desistiu de disputar a reeleição, já o também parlamentar Jutahy Magalhães Júnior decidiu competir por uma vaga ao Senado. Perdeu e ficou em quarto lugar atrás de Jaques Wagner (PT), Angelo Coronel (PSD) e Irmão Lázaro (PSC). Na Assembleia Legislativa, os quatro partidos mantiveram as 22 cadeiras, mas o PSOL elegeu neste ano o primeiro deputado estadual na Bahia. Após dois mandatos como vereador de Salvador, Hilton Coelho estará no próximo ano no Legislativo baiano. “Neste caso, eu acho que é uma avaliação do próprio trabalho dele como vereador, de um mandato da resistência, como ele diz”, pontuou Zacarias.

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