Portal Midia News - Tudo vai ser diferente?

  • Publicado: 9 Ago 2010
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Tudo vai ser diferente?




FABIANO RABANEDA

Um dos papéis fundamentais da imprensa é noticiar os fatos na medida em que eles evoluem, contribuindo para a manutenção da liberdade e da democracia.

Certamente que nessa dinâmica seja inevitável o juízo de valor parcial, já que ao desencadear a voga não subsistem elementos do contraditório, que serão apresentados apenas no curso de instrução processual.

Quando ocorre algum crime, fato que gera naturalmente repercussão social, o informado tende a julgá-lo com base nas informações que tem e no que lhe é apresentado. Tem a mesma dinâmica o Tribunal do Júri, com a peculiaridade de nesse o julgamento só vem ao final de toda a instrução probatória.

Diante do amadurecimento do Estado Democrático de Direito somos telespectadores de eventos que expelem o grito engasgado por justiça e ao assistir homens de poder respondendo à suas responsabilidades faz a impressão de a caminhada ser mais serena e justa.

Nessa vertente, é comum adotarmos a inquisição como fio condutor da verdade e colocamos no caso toda nossa carga de expectativas e desejos. Tornamos íntimos do fato, portanto.

Igual a telenovela que de fato tende a imitar a vida , passamos a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos diariamente, debatendo entre nós e gerando opinião pública.

Acontece que na vida não há diretor e o enredo é escrito de última hora. Imprevisível e imutável, ora somos presenteados com o final desejado, outrora amargamos a derrota de nossa verdade e deprimimo-nos quando perdemos. O bem sempre vence o mal?

Hoje sinto o líquido doce amargar em minha boca. Assisto a homens que foram acusados de ilícitos gravíssimos retornarem aos seus postos como julgadores imparciais, por intermédio de decisão liminar que afasta a competência de um órgão que eu acreditava ser o moralizador do terceiro poder.

Sei que, nesse caso, podem até ter razão os acusados. Não li o processo, não conheço das provas e, como já disse, minha visão é parcial e emotiva.

Em tempo, cabe apenas meu desgosto ao imaginar de que tudo não passou de um sonho. De acreditar num Judiciário honesto e lídimo, onde a técnica prevalece sobre o lobby e o saber jurídico tem reconhecimento ao invés da sacanagem escancarada das orgias sexuais e do nepotismo deletério.

Ontem, eu tinha certeza que caminhávamos para o fim do engodo. Hoje, já não sei mais em quem acreditar. Quais são os vilões dessa estória? Qual o grau imparcialidade dos julgados que terei de enfrentar? E agora, tudo vai ser como antes?

FABIANO RABANEDA Rabaneda é advogado e jornalista em Cuiabá.

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