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3 Mar 2010 / Matéria visualizada 241 vezes
Cartórios de Juazeiro deficientes para atender demanda da região

Falta estrutura e a maioria dos usuários é de Petrolina, onde os serviços são mais caros

SAMARA DUARTE
Juazeiro

Filas que começam a se formar no início da manhã, poucos funcionários para fazer o atendimento à população, estrutura física precária e muita reclamação. Essa é a rotina diária dos cartórios em Juazeiro, que funcionam no Fórum Conselheiro Luiz Viana Filho.

A cidade, que possui mais de 200 mil habitantes, conta hoje com apenas dois cartórios para autenticação de documentos e emissão de registros.

Em cada cartório, quatro funcionários se revezam para atender à demanda de mais de 700 atendimentos por dia.

“Hoje mesmo, só estamos com dois funcionários aqui.

Uma está em férias e outra está, com atestado, teve que viajar com o pai doente” revela um funcionário do cartório de 2º ofício, que preferiu não se identificar.

“As pessoas reclamam com todo o direito porque precisam do serviço, mas pouca gente vê o que está aqui do outro lado do balcão. Não temos estrutura, não temos funcionários suficientes, não temos serviço informatizado e para completar, metade de nossos atendimentos é feita para pessoas de Petrolina, que vêm autenticar documentos aqui em Juazeiro por causa do preço”, completou o servidor.

Dos mais de 3 mil atendimentos por mês, registrados no cartório, quase dois mil são documentos da vizinha cidade pernambucana de Petrolina, onde o serviço é privatizado e a diferença de preços em relação a Juazeiro é grande. Uma procuração em Juazeiro é retirada por R$ 13,80; em Petrolina, o valor para a retirada do mesmo documento é R$ 58. A autenticação de documentos em Juazeiro custa R$ 1,25, e em Petrolina, R$ 3,05.

“É mais barato vir para cá”, disse o microempresário de Petrolina Lucas dos Santos, que preferiu pegar a longa fila em Juazeiro, a ter que pagar mais caro em Petrolina.

Indignado com a falta de estrutura, o advogado Reginaldo da Silva Gomes pediu à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que se pronuncie e pressione o Tribunal de Justiça a resolver a situação. “A Bahia é o único Estado que descumpre a Constituição federal que, em seu Artigo 226, diz que esse tipo de serviço deve ser privatizado”, disse.

Uma reunião está marcada para a próxima sexta-feira de manhã entre o presidente da OAB em Juazeiro, Artur Carlos Filho e a direção do fórum.


 
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